Lúpus: doença autoimune e que acomete mais as mulheres

Inicia-se um novo mês e com ele uma nova campanha de saúde: Dia Mundial do Lúpus – comemorado em 10 de maio. A Sociedade Brasileira de Reumatologia estima que há cerca de 65 mil pessoas com lúpus, sendo que 90% dos casos são mulheres. A doença pode afetar a pele, as articulações, os rins, o cérebro e demais órgãos. A enfermidade não tem cura e causa grande impacto na vida social e profissional dos pacientes.

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES ou apenas Lúpus) é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune e pode afetar pessoas de qualquer idade, raça e sexo, porém, as mulheres são as mais acometidas. A doença surge entre os 20 e 45 anos, sendo um pouco mais frequente em pessoas mestiças e afrodescendentes.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) estima que haja cerca de 65 mil pessoas com lúpus, sendo que 90% dos casos são pessoas do sexo feminino. Acredita-se que uma em cada 1.700 mulheres brasileiras tenham a doença. Apesar de não ter cura, a enfermidade pode ser controlada com uso de remédios que ajudam a diminuir a ação do sistema imune.

Embora a causa do LES seja desconhecida, sabe-se que fatores genéticos, hormonais e ambientais participam de seu desenvolvimento. Portanto, pessoas que nascem com susceptibilidade genética para desenvolver a doença, em algum momento, após uma interação com fatores ambientais (irradiação solar, infecções virais ou por outros micro-organismo) passam a apresentar alterações imunológicas. A principal delas é o desequilíbrio na produção de anticorpos que reagem com proteínas do próprio organismo e causam inflamação em diversos órgãos, como na pele, mucosas, pleura e pulmões, articulações e rins. Os sinais mais comuns do LES são:

  • Lesões na pele: ocorrem em cerca de 80% dos casos. Normalmente, são manchas avermelhadas nas maçãs do rosto e dorso do nariz – denominadas lesões em “asa de borboleta” (a distribuição no rosto lembra uma borboleta);
  • Dores nas articulações:  a dor – com ou sem inchaço – acomete cerca de 90% das pessoas com LES e envolve as juntas das mãos, punhos, joelhos e pés;
  • Inflamação nos rins: esta é a mais preocupante! Ocorre em cerca de 50% dos pacientes. No início, pode ser assintomático e constar alterações apenas nos exames de sangue e/ou urina. Em estágios mais graves, pode apresentar pressão alta, inchaço nas pernas, a urina fica espumosa e/ou pode haver diminuição da quantidade de urina.

Quando o LES não é tratado corretamente, o paciente pode ter insuficiência renal – necessitando de diálise e/ou transplante renal.

O diagnóstico é feito com a avaliação clínica de um reumatologista, que pode solicitar exames complementares, como de sangue e urina – que auxiliam também na definição da fase da doença. O tratamento do LES é individualizado e depende da manifestação apresentada por cada um dos pacientes. O objetivo é permitir o controle da atividade da doença, a minimização dos efeitos colaterais dos medicamentos e uma boa qualidade de vida aos portadores de lúpus.

Pacientes com lúpus devem evitar exposição ao sol

Cerca de 30% a 40% das pessoas que têm a doença apresentam maior sensibilidade aos raios ultravioletas que, na maioria das vezes, geram surgimento de novas lesões na pele e crises de atividade do LES. Neste caso, o sol funciona como “gatilho.” Quando o paciente fica exposto a radiação solar e sem proteção, a pele fica avermelhada. Isto ocorre porque o sol promove uma reação imunológica no organismo, tornando a pessoa com lúpus extremamente fotossensível

A exposição solar desencadeia uma reação inflamatória que pode afetar não apenas a pele, mas estruturas como articulações, cérebro e rins. Por isso, quem tem lúpus precisa redobrar os cuidados. É fundamental o uso de óculos escuros para prevenir problemas na região dos olhos que podem afetar pacientes com LES.

É importante também utilizar chapéus e/ou bonés para se proteger. A prática de atividade física é fundamental para controlar e estabilizar a doença, além de fornecer resistência aos portadores, mas deve-se evitar o horário em que os raios ultravioletas são mais fortes.

Projeto de Lei

Cerca de 18% a 33% dos pacientes que têm LES, tornam-se incapazes para dar continuidade a vida profissional, mesmo sob tratamento. Atualmente, quem tem lúpus não possui nenhum direito. Para reverter esta situação, foi criado o Projeto de Lei nº 524/19, cujo objetivo é garantir aos pacientes com lúpus os mesmos direitos e benefícios sociais previstos na Constituição as pessoas com deficiência física e/ou intelectual. A proposta tramita na Câmara dos Deputados.

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